Utopia e barbárie
messianismo em Walter Benjamin e Giorgio Agamben contra a teleologia do progresso
Resumo
Este artigo examina a tensão entre barbárie e utopia nos horizontes críticos de Walter Benjamin e Giorgio Agamben, tomando a ideologia moderna do progresso como um operador de naturalização do tempo homogêneo e como forma de governabilidade, capaz de administrar a catástrofe como norma e estabilizar dispositivos de dominação. Em Benjamin, recuperamos as raízes românticas e messiânicas de sua filosofia da história, destacando a crítica da teleologia, o gesto de “escovar a história a contrapelo”, a centralidade de Eingedenken e a noção de Jetztzeit como interrupção do continuum histórico. Com apoio de Michel Löwy e Jeanne Marie Gagnebin, delimitamos a conexão entre teologia e política em Benjamin como figura crítica de interrupção, e não como programa teocrático. Em seguida, analisamos a apropriação agambeniana do tempo messiânico em articulação com o estado de exceção, entendido como paradigma de governo convertido em norma. Por fim, propomos compreender “utopia” como política do tempo: não um ideal futuro, mas um modo de reabrir o presente pela desativação de mecanismos de captura.
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