Utopia e barbárie

messianismo em Walter Benjamin e Giorgio Agamben contra a teleologia do progresso

  • Denise Narli da Silveira Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS)
Palavras-chave: Walter Benjamin. Giorgio Agamben. Utopia. Barbárie. Tempo messiânico.

Resumo

Este artigo examina a tensão entre barbárie e utopia nos horizontes críticos de Walter Benjamin e Giorgio Agamben, tomando a ideologia moderna do progresso como um operador de naturalização do tempo homogêneo e como forma de governabilidade, capaz de administrar a catástrofe como norma e estabilizar dispositivos de dominação. Em Benjamin, recuperamos as raízes românticas e messiânicas de sua filosofia da história, destacando a crítica da teleologia, o gesto de “escovar a história a contrapelo”, a centralidade de Eingedenken e a noção de Jetztzeit como interrupção do continuum histórico. Com apoio de Michel Löwy e Jeanne Marie Gagnebin, delimitamos a conexão entre teologia e política em Benjamin como figura crítica de interrupção, e não como programa teocrático. Em seguida, analisamos a apropriação agambeniana do tempo messiânico em articulação com o estado de exceção, entendido como paradigma de governo convertido em norma. Por fim, propomos compreender “utopia” como política do tempo: não um ideal futuro, mas um modo de reabrir o presente pela desativação de mecanismos de captura.

 

Biografia do Autor

Denise Narli da Silveira, Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS)

Doutoranda em Filosofia pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS)

denisegrafias@gmail.com

http://lattes.cnpq.br/8079997841207353

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Publicado
2026-02-20
Como Citar
Silveira, D. (2026). Utopia e barbárie. Revista Filoteológica - ISSN: 2763-7549, 5(2), 48-73. Recuperado de http://revistafiloteologicafcfs.educacao.ws:80/index.php/RFTCF/article/view/226