Triunfo de uma ilusão
psicanálise, teologia negativa e cristofascismo
Resumo
O objetivo geral deste artigo é tratar da relação crítica da psicanálise sobre a religião. Partindo do clássico texto de Sigmund Freud, denominado de O futuro de uma ilusão (1927), e partindo da entrevista concedida por Jacques Lacan, de nome Triunfo da religião (1974), este artigo questiona: O que resta da separação entre religião e psicanálise feita por Freud, na medida em que Lacan parece ter elogiado, contudo, a capacidade da religião de “apaziguar corações” diante do Real? Este artigo parte de um estudo sobre a religião cristã e sua relação com o capitalismo na sua fase neoliberal, especialmente na sua fase atual, denominada pela teóloga alemã Dorothy Soelle como “Cristofascismo”. As hipóteses são: pode haver uma relação dialética entre religião e psicanálise a partir dos conceitos de “teologia negativa” e de “ontologia negativa”; e, para além do clássico entendimento freudiano de ver a religião como “ilusão” e “neurose obsessiva”, é possível pensar numa outra religiosidade, caso seja também possível se pensar na hipótese de uma “Religião humanista”, como falava Erich Fromm no seu Psicanálise e religião (1950). O método de investigação associa o modo hermenêutico-filosófico com a “ontologia do presente” própria à teoria crítica, enquanto diagnóstico crítico da contemporaneidade.
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