Niilismo
a “Morte de Deus” como consumação da metafísica tradicional
Resumo
Este artigo pretende discutir, à luz do pensamento heideggeriano, o niilismo como consequência histórica da metafísica tradicional, concebida como onto-teo-logia. Isso significa que não buscamos estabelecer um diálogo sistemático entre a filosofia de Nietzsche e a de Heidegger, tampouco realizar uma análise comparativa entre ambos. O que está em jogo aqui é a compreensão do modo pelo qual Heidegger interpreta a filosofia nietzschiana, como expressão consumada da tradição metafísica ocidental. Nesse sentido, discutiremos o fato de que, na reflexão heideggeriana, o esquecimento do ser é concebido como condição de possibilidade do fenômeno do niilismo enquanto realidade histórica. A sentença “Deus está morto!” torna-se, então, a expressão paradigmática desse processo, pois sintetiza o esvaziamento da transcendência e a indigência espiritual que marcam a civilização ocidental. Dessa forma, nossa proposta é analisar a questão da “morte de Deus” como representação que caracteriza o fenômeno do niilismo, o qual é constitutivo do pensamento ocidental enquanto metafísica.
Referências
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