O cotidiano como lugar de autorrevelação
um olhar sobre a poesia de Adélia Prado à luz dos conceitos de cotidianidade e de passado em Martin Heidegger
Resumo
O presente artigo visa estabelecer um diálogo entre filosofia e visão poética do sagrado. Ele se propõe a investigar, na produção poética de Adélia Prado, a compreensão do cotidiano como um espaço de constituição da pessoa, pelo qual a existência se refunda continuamente e o sujeito se reinscreve nas temporalidades que o atravessam. Desse modo, através de uma análise de dois de seus poemas, visamos compreender como o existir cotidiano, mediado pelos espaços da vida comum, é captado como um processo de edição interior, pelo qual afeto e intelecto se abraçam. Assumindo como referencial filosófico os conceitos do pensador alemão Martin Heidegger de ser-no-mundo e de cotidianidade, exploramos a descrição de si como atividade constitutiva da identidade do sujeito. Ademais, investigamos, a partir dessa abordagem existencial do cotidiano, de que maneira a espiritualidade cristã — também atravessada por um exercício permanente de ressignificação da vida ordinária — ocupa um lugar primordial na obra da poetisa mineira.
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